Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.
Questões desta lista
Questão 1
Ufrgs 2026Considere as afirmações abaixo, sobre a relação da dominação europeia com os povos originários.
I. O projeto colonizador promoveu genocídio, por meio de guerras bacteriológicas, aprisionamentos e assassinatos, e ecocídio, por meio de devastação generalizada das florestas.
II. O projeto colonizador garantiu a preservação de territórios indígenas, salvaguardando as florestas e estabelecendo acordos de convivência com as lideranças indígenas.
III. O projeto colonizador foi responsável pela extinção dos indígenas de todo o território nacional, os quais tornaram a aparecer em decorrência da itinerância que marca o tempo presente.
Quais estão corretas?
Ver resposta e resolução da questão 1
Resposta: A
As afirmativas [II] e [III] estão incorretas porque a colonização europeia no Brasil não garantiu a preservação de territórios indígenas, uma vez que houve um contínuo avanço sobre o território nativo em busca de riquezas e da sistematização do projeto colonizador. Apesar disso, esse projeto não extinguiu por completo os indígenas de todo o território. A despeito do abuso colonizador, parte dos povos nativos sobreviveu e, no tempo presente, ainda busca preservar seu território.
Questão 2
Unesp 2023O diabo parece ter sido estranho tanto para os tupis do Brasil quanto aos nauas, maias, incas e demais povos americanos. O cosmos maia era neutro, as forças e os seres sagrados “não eram nem bons, nem ruins, mas apenas caprichosos”. […] A cosmologia das populações andinas não contava com a noção de mal personificada num ser satânico
[…].
(Laura de Mello e Souza. Inferno atlântico. Demonologia e colonização: Séculos XVI-XVIII, 1993.)
O excerto permite afirmar que
Ver resposta e resolução da questão 2
Resposta: E
O excerto é claro ao afirmar que a dualidade entre o bem e o mal (Deus x diabo) inexistia nas sociedades americanas antes da chegada dos europeus. Foi o processo colonizador – e a catequese – que trouxe esse imaginário para o continente.
Questão 3
Uema 2021A colonização do Maranhão deu-se por meio de duas frentes distintas de povoamento e de ocupação territorial, propiciando especificidades nas bases socioeconômicas do norte e do centro-sul maranhense, ou seja, do litoral e do sertão.
A frente interiorana responsável pela ocupação do sertão maranhense teve como características o caráter
Ver resposta e resolução da questão 3
Resposta: B
Na história da ocupação do Maranhão, observa-se duas entradas gerais, uma pelo litoral a partir da cidade de São Luís, e a outra pelo sertão Maranhense, culminando em duas formações socioespaciais diferentes em função de fatores naturais, culturais e econômicos. A segunda entrada, na região sul, sertanejos e vaqueiros fugindo da seca na Bahia buscavam pastos verdes. Desta forma, a região sul do Maranhão foi caracterizada por forças produtivas apoiadas na pecuária. Porém, ocorreu uma forte violência com os nativos que habitavam o lugar. Gabarito [B].
Questão 4
Uema 2021Sabeis quem traz as pragas à terra? Cativeiros injustos. Quem trouxe ao Maranhão a praga dos Holandeses? Quem trouxe a praga das bexigas? Quem trouxe a fome e a esterilidade? Estes cativeiros. […] Todo o homem que deve serviço ou liberdade alheia, e podendo-a restituir, não restitui, é certo que se condena: todos, ou quase todos os homens do Maranhão devem serviços e liberdades alheias, e podendo restituir, não restituem; logo, todos os quase todos se condenam.
Cleonice Berardinellí. Pretos, Índios e Judeus nos Sermões de Vieira. In. João Adolfo Hansen, Adma Muhana, Hélder Garm (Orgs). Estudos sobre Vieira – São Paulo: Ateliê Editorial. 2011.
Este Sermão do Pe. Antônio Vieira (1608-1697) faz uma crítica à escravização dos indígenas e expõe a grande demanda por essa mão de obra no Estado Colonial do Maranhão até meados do século XVIII. A assertiva que explica o cativeiro dos indígenas no Maranhão colonial é a seguinte:
Ver resposta e resolução da questão 4
Resposta: C
Dentro da Contrarreforma em meados do século XVI, surgiu a Companhia de Jesus com o objetivo de expandir a fé cristã católica, eram os padres jesuítas que atuaram na América Latina na conversão dos nativos. Os padres jesuítas não aceitaram a escravidão dos ameríndios, daí surgiu um grave conflito entre a elite agrária e os padres no contexto do Brasil colonial. A elite colonial acusava os padres de levarem os nativos para o interior, criar as missões, catequizar os nativos e explorá-los na floresta Amazônica na extração das Drogas do Sertão. Em 1684, ocorreu um conflito no Maranhão, denominado Revolta de Beckman, caracterizado por um intenso conflito entre os padres e os colonos. Gabarito [C].
Questão 5
Ufpr 2020Aqui no Brasil tratou-se desde o início de aproveitar o índio, não apenas para obtenção dele, pelo tráfico mercantil, de produtos nativos, ou simplesmente como aliado, mas sim como elemento participante da colonização. Os colonos viam nele um trabalhador aproveitável; a metrópole, um povoador para a área imensa que tinha de ocupar, muito além de sua capacidade demográfica. Um terceiro fator entrará em jogo e vem complicar os dados do problema: as missões religiosas.
(PRADO JÚNIOR, Caio. A formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1963, p. 91.)
Baseando-se no trecho acima sobre o trabalho indígena no Brasil Colônia, assinale a alternativa correta.
Ver resposta e resolução da questão 5
Resposta: B
Na América Portuguesa, os padres jesuítas defenderam a escravidão Africana e foram contrários à escravidão indígena. Os nativos foram levados para o interior da colônia, sofreram um processo de aculturação ao serem catequizados nas Missões ou reduções, os nativos também foram explorados na extração das Drogas do Sertão na Amazônia beneficiando os padres jesuítas. Desta forma, a atuação dos religiosos contribuiu para a colonização bem como para a escravidão dos negros. Gabarito [B].
Questão 6
Enem 2020Porque todos confessamos não se poder viver sem alguns escravos, que busquem a lenha e a água, e façam cada dia o pão que se come, e outros serviços que não são possíveis poderem-se fazer pelos Irmãos Jesuítas, máxime sendo tão poucos, que seria necessário deixar as confissões e tudo mais. Parece-me que a Companhia de Jesus deve ter e adquirir escravos, justamente, por meios que as Constituições permitem, quando puder para nossos colégios e casas de meninos.
LEITE, S. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938 (adaptado).
O texto explicita premissas da expansão ultramarina portuguesa ao buscar justificar a
Ver resposta e resolução da questão 6
Resposta: C
A análise do fragmento revela a justificativa para o uso de mão de obra escravizada nas dependências e colégios da Companhia de Jesus. Ao argumentar sobre a necessidade de serviços domésticos e de subsistência que não poderiam ser realizados pelos próprios membros da ordem, o texto evidencia a institucionalização do regime de cativeiro no território colonial. Como os jesuítas atuavam como peças fundamentais no processo de colonização portuguesa, especialmente por meio da catequese, a aceitação dessa prática reflete a integração da escravidão na dinâmica socioeconômica da época, validando assim a alternativa C.
Questão 7
Unicamp 2019Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de colonos.
(Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.)
Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta.
Ver resposta e resolução da questão 7
Resposta: C
A partir da expansão territorial que proporcionou a colonização da região amazônica, Portugal precisou estabelecer uma melhor comunicação entre colonizadores e colonizados, visando a ampliação da dominação portuguesa. Nesse contexto, o aprendizado da língua indígena pelos colonizadores era fundamental.
Questão 8
Uel 2019O Norte do Paraná só foi integrado à economia nacional nos anos 1930 por meio das ações da Companhia de Terras Norte do Paraná. As populações indígenas que habitavam a região, especificamente a caingangue, pouco tiveram de suas histórias preservadas ou registradas.
Sobre a ocupação que antecedeu os caingangue e que pode ser chamada de experiência guaranítica (Séc. XVIXVII), atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) A Gobernación del Assunción ligava-se à região do Reino do Paraguai sob controle espanhol, mas de interesse geopolítico para Portugal.
( ) Às margens dos rios Paranapanema, Tibagi, Ivaí e Piquiri foram fundadas reduções jesuíticas para o aldeamento dos índios.
( ) A destruição das reduções jesuíticas nessa região deveu-se ao expansionismo paulista que, por meio de bandeiras, fazia a pregação dos indígenas.
( ) A região passou ao domínio português a partir do Tratado de Madri, assinado em 1750, que aboliu o Tratado de Tordesilhas.
( ) A estrada do Peabiru tornou-se um meio estratégico de defesa da população guarani no conflito contra os bandeirantes.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Ver resposta e resolução da questão 8
Resposta: C
Somente a proposição [C] está correta. A questão remete a história do Paraná associando a questão indígena com a atuação dos Bandeirantes Paulistas. Diversas Reduções Jesuíticas foram fundadas nas margens dos rios localizados no Paraná para aldear os nativos. Os bandeirantes paulistas destruíram essas reduções jesuíticas gerando uma expansão portuguesa em terras espanholas. Em 1750, foi assinado o Tratado de Madri anulando o Tratado de Tordesilhas dando ao Brasil praticamente o tamanho atual exceto a região do Acre. O Caminho de Peabiru era uma trilha indígena que existia antes da chegada dos europeus, ligava os oceanos Atlântico ao Pacífico passando por países como Bolívia, Paraguai, Peru e Brasil.
Questão 9
G1 – col. naval 2019 Leia o texto a seguir.
“AH CUIABÁ, COMO É BOM VIVER AQUI!!!
Cidade verde, linda e hospitaleira. Consegue ser a capital tricentenária, mas sem perder a essência. Cuiabá dos 300 Anos que vem sendo marcada por muitas transformações e mudanças.
BREVE HISTÓRICO
Cuiabá foi fundada em 08 de abril de 1719 às margens do Rio Coxipó, a ata de fundação foi assinada por Pascoal Moreira Cabral.
Cuiabá foi elevada á condição de cidade em 17 de setembro de 1818, tornando-se a capital da então província de Mato Grosso.
A igreja do Rosário, um dos pontos turísticos da cidade, construída na época no centro da pequena cidade, marcou a localização de uma rica cultura de ouro.
Disponível em: https://turismo.cuiaba.mt.gov.br/ Acesso em: 10/04/2019.
A respeito da fundação de Cuiabá, é correto afirmar que está relacionada com
Ver resposta e resolução da questão 9
Resposta: E
No século XVIII, a mineração foi a atividade econômica mais importante na colônia, gerando inúmeras transformações, tais como, mudança do eixo econômico do Nordeste para o centro, transferência da capital de Salvador para a cidade do Rio de Janeiro, crescimento demográfico, surgimento de uma camada intermediária, aspecto mais urbano com a criação de cidades. As atividades dos bandeirantes paulistas nos séculos XVII e XVIII contribuíram para o surgimento de cidades. Caça ao índio, caça ao ouro, monções e sertanismo de contrato foram as principais atividades dos bandeirantes paulistas. Gabarito [E].
Questão 10
Ufrgs 2018Leia o segmento abaixo, do escritor indígena Ailton Krenak.
Os fatos e a história recente dos últimos 500 anos têm indicado que o tempo desse encontro entre as nossas culturas é um tempo que acontece e se repete todo dia. Não houve um encontro entre as culturas dos povos do Ocidente e a cultura do continente americano numa data e num tempo demarcado que pudéssemos chamar de 1500 ou de 1800. Estamos convivendo com esse contato desde sempre.
KRENAK, Ailton. O eterno retorno do encontro. In: NOVAES, Adauto (org.). A outra margem do Ocidente. São Paulo: Funarte, Companhia das Letras, 1999. p. 25.
Considerando a história indígena no Brasil, a principal ideia contida no segmento é
Ver resposta e resolução da questão 10
Resposta: E
A explanação do escritor indígena é bastante clara: desde o primeiro momento de contato, nunca mais a relação cultural entre indígenas e brancos deixou de acontecer no Brasil, sempre trazendo consequências para os dois lados.