Exercícios de História do Brasil – Período Colonial – Escravidão Africana

Tente resolver cada exercício antes de abrir a resposta. As resoluções ficam disponíveis logo abaixo de cada questão.

Questões desta lista

Questão 1

Unesp 2026

Leia o excerto


Os africanos não foram somente os pioneiros da metalurgia de ferro no Brasil. Desde muito acostumados à cata do ouro […] trouxeram com eles as técnicas da bateia e de escavação de minas. Alguns eram bons ourives, que criavam, na África, joias de grande beleza, como as dos axantes, e passaram a fazê-las no Brasil. […]


Aos africanos deve-se também que se tenha produzido, sobretudo nas grandes propriedades rurais, e ao arrepio das proibições régias, tecidos para uso dos escravos, em teares extremamente simples, horizontais ou verticais […].


[…] as crianças ouviam os relatos fantásticos de diferentes nações africanas, cujos personagens e enredos se mesclavam entre si e com os ameríndios e europeus, de tal modo que se tornava difícil separar o Curupira dos tupis do moatia dos axantes, pois ambos, do tamanho de anões, tinham os pés virados para trás e eram os senhores dos animais selvagens. Vindos da África, bichos-papões, jogos e brinquedos desembarcaram no Brasil. E lembranças de desfiles de reis, com seus enormes guarda-sóis coloridos, que reproduziram, no Brasil, nos maracatus, congadas e reisados.


(Alberto da Costa e Silva. A África e os africanos na história e nos mitos, 2021.)


Segundo o excerto, os africanos trazidos ao Brasil na condição de escravizados.

Ver resposta e resolução da questão 1

Resposta: E

O excerto evidencia que os africanos, mesmo em situação de escravização, contribuíram econômica e culturalmente no Brasil Colonial: trouxeram técnicas produtivas (mineração, ourivesaria, tecelagem) e também repertórios culturais, que se misturaram a tradições indígenas e europeias (folclore, religiosidade, festas populares. O trecho diz claramente que os relatos, personagens e manifestações culturais africanas se mesclaram com as dos povos nativos e europeus, dando origem a elementos característicos da cultura brasileira (como maracatu, congada e reisado).


Analisando as alternativas:


Alternativa [A] está incorreta. O texto não fala em oposição entre imaginação e pensamento lógico; apenas descreve a riqueza cultural africana.


Alternativa [B] está incorreta. O excerto afirma justamente o oposto: a produção têxtil acontecia mesmo contra as proibições régias.


Alternativa [C] está incorreta. Não menciona adesão a movimentos políticos contra o mercantilismo. 


Alternativa [D] está incorreta. Embora mencione conhecimento em mineração, não diz que os africanos “permitiram a descoberta” de minérios, e o foco principal da questão é cultural, não econômico.


Gabarito [E].

Questão 2

Unesp 2026

Leia o excerto


Os africanos não foram somente os pioneiros da metalurgia de ferro no Brasil. Desde muito acostumados à cata do ouro […] trouxeram com eles as técnicas da bateia e de escavação de minas. Alguns eram bons ourives, que criavam, na África, joias de grande beleza, como as dos axantes, e passaram a fazê-las no Brasil. […]


Aos africanos deve-se também que se tenha produzido, sobretudo nas grandes propriedades rurais, e ao arrepio das proibições régias, tecidos para uso dos escravos, em teares extremamente simples, horizontais ou verticais […].


[…] as crianças ouviam os relatos fantásticos de diferentes nações africanas, cujos personagens e enredos se mesclavam entre si e com os ameríndios e europeus, de tal modo que se tornava difícil separar o Curupira dos tupis do moatia dos axantes, pois ambos, do tamanho de anões, tinham os pés virados para trás e eram os senhores dos animais selvagens. Vindos da África, bichos-papões, jogos e brinquedos desembarcaram no Brasil. E lembranças de desfiles de reis, com seus enormes guarda-sóis coloridos, que reproduziram, no Brasil, nos maracatus, congadas e reisados.


(Alberto da Costa e Silva. A África e os africanos na história e nos mitos, 2021.)


Considerando o excerto, a contribuição econômica dos escravizados africanos para o aumento da acumulação de capitais na metrópole portuguesa também derivou

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Resposta: B

O texto destaca diversas contribuições técnicas e culturais dos africanos no Brasil: metalurgia, mineração, ourivesaria, tecelagem, além de elementos culturais incorporados à sociedade colonial. Essas habilidades aumentaram a produtividade econômica do trabalho escravo e, portanto, geraram maior enriquecimento para Portugal.


Analisando as alternativas:


Alternativa [A] está incorreta. O uso massivo de escravizados na Europa não era a prática econômica dominante; a escravidão se deu principalmente nas colônias.


Alternativa [C] está incorreta. O monopólio do comércio de escravizados foi lucrativo, mas isso não é mencionado no texto como fonte principal da acumulação citada.


Alternativa [D] está incorreta. A convivência com indígenas gerou trocas culturais, mas o que o texto destaca é a expertise africana prévia, não algo aprendido na América.


Alternativa [E] está incorreta. Missionários cristãos buscavam aculturação e conversão, não a preservação da cultura africana para fins econômicos.  O excerto enfatiza que os africanos trouxeram saberes técnicos fundamentais para atividades econômicas (mineração, ourivesaria, tecelagem), contribuindo para a acumulação de capitais na metrópole.


Gabarito [B].

Questão 3

Ufrgs 2026

Leia o segmento abaixo.  


Era um sistema quase perfeito: homens brancos (europeus em sua maioria) desenvolveram uma nova mentalidade, na qual a liberdade e a igualdade são entendidas como conceitos que definem a experiência humana. […] esse mesmo mundo estava organizado numa prática amplamente sistematizada de exploração do trabalho humano em regime de servidão. Aqueles que estavam sujeitos à escravidão eram seres humanos biologicamente inferiores, assim como os não brancos incivilizados, que, se não fossem escravizados, deveriam ser “salvos” pela colonização. O circuito estava fechado. Mas eis que surgiram os revolucionários de São Domingos, que colocaram em xeque todo esse sistema, ousando projetar possibilidades de mundo até então impensáveis. Não é de estranhar que a Revolução do Haiti tenha sido vista com profundo temor. […]E o Brasil nisso tudo? Bem, o Brasil foi mais uma nação americana que nasceu em meio a esse processo de profundas transformações, construído em um mundo no qual as ideias de nação, progresso, civilidade e a própria humanidade estavam unicamente vinculadas à população branca vinda da Europa. 


SANTOS, Y. L. Racismo brasileiro: uma história da formação do país. São Paulo: Todavia, 2022. p. 95-96. 


Considerando a história das relações étnico-raciais no Brasil Colônia e Império, a principal ideia contida no segmento é que 

Ver resposta e resolução da questão 3

Resposta: A

O texto deixa claro, em especial nessa passagem “(…) construído em um mundo no qual as ideias de nação, progresso, civilidade e a própria humanidade estavam unicamente vinculadas à população branca vinda da Europa (…)”, que a História brasileira foi construída a partir da ideia da imposição do branco sobre as outras etnias. Nesse sentido, nossa organização de Nação se baseou nos racismos antinegro e anti-indígena, fatores que até hoje, infelizmente, integram o imaginário nacional.

Questão 4

Ufg 2026

Leia a seguir trecho da autobiografia do ex-escravizados Baquaqua, publicada em 1864.


Quando estávamos prontos para embarcar, fomos acorrentados uns aos outros e amarrados com cordas pelo pescoço e assim arrastados para a beira-mar. O navio estava a alguma distância da praia. Nunca havia visto um navio antes e pensei que fosse algum objeto de adoração do homem branco. […] Não sabia do meu destino. Feliz de mim que não sabia. […] Escravos vindos de todas as partes do território estavam ali e foram embarcados. […] Fui então colocado no mais horrível dos lugares.


BAQUAQUA, Mahommah G. Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua: um nativo de Zoogoo, no interior da África. São Paulo: Uirapuru, 2017. [Adaptado].


No trecho selecionado, há a descrição de qual aspecto da chamada diáspora africana?

Ver resposta e resolução da questão 4

Resposta: B

A questão exige a análise do relato autobiográfico de Baquaqua, focando nas condições de transporte e na natureza do deslocamento humano descrito.


[B] Correta. O texto descreve pessoas ‘acorrentadas’, ‘amarradas’ e ‘arrastadas’ para embarcarem em navios contra a própria vontade. Esse processo caracteriza a migração forçada, elemento central da diáspora africana sob o regime de escravidão.


Justificativa das incorretas:


[A] Incorreta. Embora existissem tensões na África, o trecho foca no embarque compulsório e no tratamento dado pelos traficantes, não em guerras entre etnias específicas.


[C] Incorreta. O intercâmbio cultural aconteceu como consequência da diáspora, mas o trecho descreve a violência do transporte, não a troca de saberes ou tradições.


[D] Incorreta. O enriquecimento colonial foi o motor econômico do tráfico, mas o texto foca na experiência humana de sofrimento do escravizado, não em dados econômicos da colônia.


[E] Incorreta. O texto relata o momento da perda da liberdade e o estranhamento (‘pensei que fosse algum objeto de adoração’). A reconstrução da identidade é um processo posterior à chegada ao novo destino.

Questão 5

Uece 2026

Sobre o processo de colonização europeia no Brasil, iniciado no século XVI, é correto afirmar que

Ver resposta e resolução da questão 5

Resposta: D

A questão aponta para o início da colonização brasileira. Analisando as alternativas.


[A] Incorreta. A África não era homogênea. Havia reinos centralizados (como o Reino do Congo), sociedades islamizadas na região do Sahel, comunidades com diferentes níveis de urbanização e organização política. Reduzir todos ao “mesmo grau” é uma simplificação equivocada. 


[B] Incorreta. O chamado Tráfico Transatlântico de Escravizados foi marcada por: capturas violentas, guerras interafricanas estimuladas pelo comércio europeu, transporte desumano, mortes em massa. Não houve processo pacífico.


[C] Incorreta. Embora tenham sofrido aculturação e repressão, muitos elementos resistiram e foram ressignificados: religiões afro-brasileiras, culinária, música,vocabulário,técnicas agrícolas. Não houve apagamento total.


[D] Correta. Povos de matrizes Banto,Iorubá e Jeje contribuíram decisivamente para a formação religiosa, cultura popular, estrutura linguística, identidade nacional.


Gabarito [D], pois reconhece a diversidade africana, a violência da escravidão, a permanência cultural, a influência estrutural na sociedade brasileira.

Questão 6

Uea 2026

A experiência da escravidão africana também marcou a trajetória da parte Norte da colônia portuguesa na América. Em decorrência disso, hoje a presença negra na Amazônia é inegável, com enorme impacto na vida da região, marcando sua história, suas formas de comer, vestir, amar, dançar, cantar, rezar, trabalhar, juntamente com todas aquelas heranças intangíveis que as pessoas levam na pele, nos olhos e na alma.


(Patrícia Melo Sampaio. “Floresta negra: A experiência e os impactos da escravidão africana na Região Amazônica”. www.geledes.org.br. Adaptado.)


O excerto demonstra que

Ver resposta e resolução da questão 6

Resposta: B

“(…) a experiência da escravidão africana também marcou a trajetória da parte Norte da colônia portuguesa na América (…)”. Aqui fica nítido que o excerto considera que a escravidão africana ajudou a moldar o Norte do Brasil, seja na constituição étnica, seja na formação sociocultural.

Questão 7

Fuvest 2026

A família de Neide fazia questão de conservar o pomposo sobrenome, “Paranhos”, herdado dos tempos da escravatura. A manutenção do nome dos descendentes dos antigos colonizadores, cuja família era tradicional na cidade, para o clã descendente de africanos escravizados, ganhara um sentido de enfrentamento aos brancos “Paranhos”. Para além de ser um destino histórico, era uma velada reivindicação de uma fortuna familiar dos brancos, que em grande parte era de pertença dos negros “Paranhos”.


Conceição Evaristo. Canção para ninar menino grande.


No excerto, o uso do mesmo nome por uma família branca e uma família negra indica

Ver resposta e resolução da questão 7

Resposta: C

O texto de Conceição Evaristo destaca que: a família negra manteve o sobrenome “Paranhos” herdado do período escravista; esse sobrenome, compartilhado com a família branca, simbolizava uma relação histórica marcada pela desigualdade; e também funcionava como uma reivindicação velada de que a riqueza dos “Paranhos” brancos foi construída, em parte, pelo trabalho dos “Paranhos” negros. Ou seja, há permanência de vínculos desiguais e também afirmação simbólica de participação no enriquecimento da família branca. Isso corresponde perfeitamente à alternativa [C].


Alternativa [A] está incorreta. Inventaria fatos inexistentes: Não houve programas governamentais de ascensão social para ex-escravizados no pós-abolição. A crise do café ocorre mais tarde e não está relacionada ao contexto do excerto. Nada disso aparece no texto. 


Alternativa [B] está incorreta. A alternativa mistura fatos e interpretações incorretas: O excerto não menciona ações do Estado monárquico. Nem sugere que os “Paranhos” negros foram dominados politicamente pelos brancos. O foco é a desigualdade estrutural herdada do período escravista, não instituições monárquicas. 


Alternativa [D] está incorreta. A Primeira República não aparece no texto, e muito menos a ideia de harmonia social. O excerto fala de tensões históricas, não de conciliação. 


Alternativa [E] está incorreta. Não há menção à dependência financeira pós-escravidão. A alternativa também introduz a ideia de “valorização da mistura racial”, completamente alheia ao texto. Nada disso se conecta ao que Conceição Evaristo afirma. 


Gabarito [C].

Questão 8

Famerp 2026

Analise a imagem da litografia de Jean-Baptiste Debret, realizada em 1835 e intitulada “Mercado da Rua do Valongo”.

Imagem da questão 8 sobre Tráfico atlântico

A imagem revela

Ver resposta e resolução da questão 8

Resposta: C

Há, na pintura de Debret, um evidente contraste corporal e de vestuário entre os negros escravizados e os brancos, sejam eles traficantes ou senhores. Tal contraste é resultado do trato inferior dado pelos brancos aos escravizados no Brasil. 

Questão 9

Albert Einstein – Medicina 2026

[…] historicamente, os quilombos foram comunida des dinâmicas forjadas não fora, mas dentro da socieda de e scravista; comunidades que simultaneamente trans formaram o mundo no qual todos viviam. As geografias insurgentes […] foram claramente baseadas na existência de laços e práticas econômicas forjadas dentro da escravi dão e m otivadas por camaradagem, medo ou oportunismo. N enhum deles expressou uma explícita ideologia antiescra vista, mas suas ações desestabilizaram a escravidão por dentro. Para os quilombolas, abandonar seus senhores e trabalhar como pessoas livres diante dos olhos dos proprietários foi uma forma de rejeitar a escravidão.


(Yuko Miki. “Fugir para a escravidão: as geografias insurgentes dos quilombolas brasileiros, 1880-1881”. In: Flávio Gomes e Petrônio Domingues (orgs.). Políticas da raça: experiências e legados da abolição e da pós-emancipação no Brasil, 2014.)


O excerto caracteriza a ação dos quilombos no Brasil pré-abolição como

Ver resposta e resolução da questão 9

Resposta: B

O texto de Yuko Miki rompe com a visão tradicional que entende os quilombos apenas como espaços “fora” da sociedade escravista. Ao contrário, a autora afirma que: os quilombos foram forjados dentro da própria sociedade escravista; suas práticas econômicas e sociais surgiram a partir das relações criadas pela escravidão; mesmo sem uma ideologia antiescravista explícita, suas ações desestabilizavam o sistema por dentro; viver e trabalhar como livres, ainda que próximos aos senhores, constituía uma alternativa concreta ao trabalho compulsório. Assim, os quilombos aparecem como formas práticas de resistência cotidiana, inseridas na lógica do sistema, mas capazes de tensioná-lo. O texto não idealiza os quilombos como sociedades plenamente igualitárias nem afirma a ausência total de hierarquias ou conflitos internos. A autora afirma explicitamente que não havia uma ideologia antiescravista clara, muito menos um projeto político organizado para derrubar a monarquia. Os quilombos não eram aceitos pelo sistema escravista; eram perseguidos e reprimidos, justamente por sua capacidade de desestabilização. Gabarito [B].

Questão 10

Uece 2025

Quando estudamos a história da colonização portuguesa na América, um aspecto de destaque é a grande utilização de mão de obra escravizada africana. Essa característica marcou a experiência colonial lusitana e marca a identidade do Brasil. Quanto à história e à cultura afro-brasileiras na colonização, é correto afirmar que

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Resposta: D

A resistência dos africanos escravizados não se limitou ao sincretismo cultural e religioso, mas incluiu também formas ativas de rebelião e fuga, com destaque para a criação dos Quilombos, como o famoso Quilombo dos Palmares. Esses espaços eram comunidades autônomas de resistência, onde africanos e seus descendentes buscavam viver em liberdade, reconstruindo elementos de suas culturas originais e criando novas formas de organização social.


Analisando as alternativas incorretas.


Alternativa [A], incorreta. O sincretismo foi uma forma importante de resistência cultural, mas não a única. Como mencionado acima, houve também fugas, revoltas, sabotagens e organização de quilombos, entre outras formas de luta.


Alternativa [B], incorreta. Embora a cultura africana tenha grande influência, especialmente nas áreas da religião, música, culinária e linguagem, dizer que ela é predominante ignora a diversidade de influências (indígenas, europeias, etc.) na formação do Brasil. O termo “predominante” exagera e não reflete com precisão o contexto histórico.


Alternativa [C], incorreta. Essa afirmação é falsa e preconceituosa. Antes mesmo da colonização europeia, havia na África sociedades urbanas, organizadas, com comércio ativo e produção artística e artesanal sofisticada, como os reinos de Mali, Gana, Benin e Songhai. Os africanos também contribuíram na mineração, construção, religiosidade, música e linguagem, além das atividades rurais.


Gabarito [D].